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Câncer de Pâncreas

Câncer de Pâncreas 2017-09-26T14:54:59+00:00

Definição

O pâncreas é uma glândula produtora de hormônios reguladores do metabolismo, como a insulina e de enzimas digestivas. Localiza-se no andar superior do abdome, atrás do estômago. As suas enzimas são despejadas no duodeno, parte inicial do intestino delgado logo após o estômago, através de um canal junto ao outro canal que expele a bile do fígado. O órgão se divide em 3 partes: cabeça, corpo e cauda. A maior parte dos casos de câncer de pâncreas localiza-se na cabeça e isso resulta em uma série de sinais e sintomas sugestivos da doença.

O tipo mais comum de câncer de pâncreas é o adenocarcinoma.

É um tipo de tumor pouco freqüente, não figurando na estatística do Ministério da Saúde entre os 10 mais incidentes no Brasil.
Embora seja o décimo terceiro câncer em incidência, também é a oitava causa de morte por câncer.

Isso ocorre porque a maioria dos casos é diagnosticada como doença localmente avançada ou metastática.

A maioria dos diagnósticos ocorre após os 50 anos com pico de incidência em torno dos 70 aos 75 anos. Costuma ser mais freqüente em homens.

Outros fatores de risco relacionados ao câncer de pâncreas são: tabagismo, pancreatite crônica, cirrose, obesidade, sedentarismo, dieta rica em gordura e colesterol, diabetes mellitus, exposição ocupacional aos agentes carcinógenos, ascendência judaica (Ashkenazi) e baixo nível sócio-econômico.

As principais síndromes familiares relacionadas à doença são: pancreatite hereditária, câncer colorretal não-polipóide hereditário, câncer de mama e ovário hereditário, melanoma múltiplo atípico familial, Peutz-Jeghers e ataxia-telangectasia.

Os sinais e sintomas da doença dependem da localização do tumor primário, e na maioria dos casos são vagos e imprecisos.

A obstrução das vias biliares é comum, pois o tumor acomete freqüentemente a cabeça do pâncreas, levando à icterícia, cólica biliar, anorexia, emagrecimento e outras queixas gastrointestinais.

Pode ocorrer pancreatite quando o ducto pancreático é obstruído. A invasão de estruturas adjacentes provoca dor de características distintas. O comprometimento do plexo celíaco ou mesentérico provoca dor em queimação e em pressão no andar superior do abdome. A sensação de dor no dorso é comum nos casos de infiltração do retroperitônio.

A esteatorréia ou diarréia associada à gordura ocorre quando há produção insuficiente de enzimas. É um sintoma inicial incomum e brando, mas pode ocorrer após as cirurgias para ressecção do tumor. A insuficiência de produção de insulina pode causar de intolerância à glicose até diabetes mellitus que também se agravam após a cirurgia.

Há uma relação com episódios de trombose superficial e profunda.
Sudorese noturna, aumento da circunferência abdominal, ascite e obstrução pilórica são incomuns na apresentação inicial e estão associados à doença metastática.

O diagnóstico é histopatológico e a biópsia pode ser obtida através da própria cirurgia, por meio de ultrassonografia endoscópica ou guiada por tomografia computadorizada.

A gastroduodenopancreatectomia e a pancreatectomia corpo-caudal são as cirurgias de escolha para os tumores de cabeça, corpo e cauda, respectivamente. São procedimentos de grande porte e só se justificam quando a doença é ressecável e o paciente tem condições clínicas para tanto.

O tratamento adjuvante com quimioterapia reduz significativamente o risco de recidiva. A obstrução biliar é comum à apresentação podendo ser corrigida cirurgicamente por derivação bilio-digestiva, tanto na cirurgia primária quanto paliativamente. Os métodos menos invasivos de desobstrução ou derivação biliar estão disponíveis, como stents biliares intraductais ou drenagem percutânea guiada por tomografia. Os pacientes com doença localizada irressecável são candidatos às medidas paliativas acima, quando indicadas, além de tratamento com quimioterapia e radioterapia ou quimioterapia isolada.

Em caso de doença metastática, a quimioterapia paliativa está associada a aumento de sobrevida, melhor qualidade de vida e baixo perfil de toxicidade.

O prognóstico da doença depende do estadiamento inicial, que é realizado por tomografia computadorizada.

Os marcadores tumorais como CA19-9 e CA125 não são específicos ou diagnósticos, e servem apenas para a avaliação de resposta ou progressão no contexto de doença metastática.

A localização, dificuldade de acesso e ausência de marcadores tumorais suficientemente sensíveis e específicos dificulta a detecção precoce.

Os exames de rastreio e detecção precoce são indicados apenas nos pacientes com síndromes genéticas com risco elevado de câncer de pâncreas.

Não há estratégias de prevenção direcionadas a este tipo de tumor.