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Câncer de Fígado

Câncer de Fígado 2017-09-26T13:07:32+00:00

Definição

O fígado é uma víscera abdominal localizada no andar superior do abdome à direita. É responsável pela metabolização e eliminação de uma série de compostos tóxicos produzidos pelo nosso metabolismo e por diversos medicamentos, incluindo quimioterápicos. Apresenta vascularização arterial, mas diferentemente de outros órgãos, a maioria do aporte sanguíneo se dá por via venosa proveniente do intestino. Desta forma os nutrientes são obtidos diretamente do intestino e o aporte de oxigênio por via arterial. Desempenha papel central no metabolismo intermediário, isto é, na assimilação e mobilização de estoques de carboidratos, gorduras, colesterol, proteínas e vitaminas. O fígado possui grande capacidade de regeneração e grande parte de seu volume pode ser ressecado sem prejudicar seu funcionamento.

 

O carcinoma hepatocelular ou hepatocarcinoma é o tumor primário mais comum do fígado.
É o sexto câncer mais comum no mundo e a terceira causa de mortalidade por câncer.
É mais freqüente na Ásia, onde corresponde à principal causa de morte por câncer.

A cirrose hepática, processo de destruição, regeneração e fibrose do fígado, causada por um agente agressor ou por doenças metabólicas e auto-imunes, é a principal causa de hepatocarcinoma.

As hepatites virais B e C crônicas são os principais fatores relacionados à cirrose e ao câncer hepático, correspondendo a 75% dos casos, seguidos pelo uso de álcool, hemocromatose, toxinas, hepatite auto-imune e doenças metabólicas.

Os sinais e sintomas mais comuns são dor abdominal, emagrecimento, hepatomegalia (aumento do tamanho do fígado), esplenomegalia (aumento do tamanho do baço), ascite, plenitude pós-prandial, perda de apetite, fraqueza, febre, icterícia e vômitos.

O diagnóstico é histopatológico, entretanto há risco de sangramento e disseminação da doença através do trajeto de punção.

Através dos exames de imagem, sabemos a doença é localizada apenas no fígado. As informações anatômicas usualmente utilizadas para o estadiamento de outros tumores não são úteis no hepatocarcinoma, pois dependem de critérios cirúrgicos e a minoria dos tumores é operada.

As estratégias terapêuticas empregadas devem levar em consideração não somente a extensão da doença, mas também a função hepática subjacente. Desta forma, diversos critérios como Child, Okuda, CLIP e MELD, são combinados ao volume tumoral para estratificar os pacientes entre as modalidades de tratamento.

Assim, no contexto de um paciente com cirrose e nódulo maior que 2cm, com características tumorais e elevação de alfa-fetoproteína maior que 200ng/mL, pode-se propor tratamento para doença localizada.

Os pacientes com doença inicial, restrita ao fígado, função hepática preservada, 3 ou menos nódulos menores que 3cm e tecido residual suficiente são candidatos aos tratamentos potencialmente curativos como a cirurgia de hepatectomia parcial.

O transplante hepático é uma alternativa para os pacientes com as mesmas características acima, que não apresentem co-morbidades e cuja cirurgia necessária para a extirpação de toda a doença resulte em uma quantidade de tecido hepático insuficiente.

Os pacientes com contra-indicações aos procedimentos cirúrgicos descritos são candidatos às terapias ablativas, onde o objetivo é destruir o tecido tumoral, através de agentes químicos, como a alcoolização, ou físicos, como a radiofreqüência ou a crioablação. É possível repetir as sessões de terapias ablativas, e estas podem ser realizadas através de cirurgia ou punção percutânea guiada por exames de imagem.

Em caso de doença multinodular restrita ao fígado, com função hepática preservada e sem contra-indicações, a quimioembolização é empregada com melhores resultados. O hepatocarcinoma é um tumor resistente à maioria dos agentes quimioterápicos. A sua vascularização, diferentemente do restante do fígado, se dá por via exclusivamente arterial. A quimioembolização tenta saturar os mecanismos de metabolização de quimioterápicos oferecendo uma grande concentração da droga por via arterial associado à gelatina (Gelfoam) ou às outras substâncias capazes de obstruir o vaso sanguíneo a montante e a jusante impedindo a difusão retrógrada e anterógrada da droga, além de levar à necrose tumoral por cortar o suprimento de oxigênio e nutrientes.

Os pacientes com doença localmente avançada, metastática, função hepática preservada e em bom estado geral são candidatos às terapias de alvo molecular, com impacto de sobrevida e um perfil de toxicidade relativamente tolerável.

O grau de disfunção hepática interfere com as propostas de tratamento acima, e em situações de disfunção grave, as complicações da cirrose e da insuficiência hepática podem trazer um prognóstico pior que o próprio carcinoma e nestes casos está indicado suporte clínico paliativo.

Recomenda-se rastreio para a detecção precoce em determinados grupos de pacientes com cirrose, com redução de mortalidade. A ultrassonografia e a dosagem de alfa-fetoproteína são os métodos usualmente empregados. A vacinação para hepatite B na população reduz o risco de infecção crônica, cirrose e, consequentemente, de hepatocarcinoma. Não há vacinas, no momento, para o vírus C, mas a regulação mais estreita dos bancos de sangue reduziu significativamente os novos casos de hepatite C transmitidos por via transfusional.