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Câncer de Cabeça e Pescoço

>>>Câncer de Cabeça e Pescoço
Câncer de Cabeça e Pescoço 2017-09-26T16:16:56+00:00

Definição

O câncer de cabeça e pescoço compreende um grupo heterogêneo de tumores classificados por localização, a saber: cavidade oral; nasofaringe; orofaringe; hipofaringe; laringe; cavidade nasal e seios paranasais; glândulas salivares. Estes sítios são áreas diretamente envolvidas com as funções de fala, deglutição, respiração, paladar, olfato e outros. Por isso, a abordagem passa por uma equipe multidisciplinar que envolve o oncologista, o cirurgião de cabeça e pescoço, o radioterapeuta, bem como os profissionais da odontologia, nutrição, psicologia, enfermagem e fonoaudiologia. Com isso, valoriza-se ao máximo a preservação do órgão e de suas funções.

O câncer de cabeça e pescoço é a quinta neoplasia mais comum no mundo, com uma incidência global de 780 mil novos casos por ano. No Brasil, a incidência entre 1995 e 1998 foi de 22 novos casos de tumores de cavidade oral e faringe por ano para cada 100.000 habitantes e de 8 novos casos/100 mil de tumores de laringe, tendo como base dados populacionais da cidade de Goiânia. Chama a atenção a alta incidência do câncer de boca na nossa população, com estimativa de 10.380 novos casos para o ano de 2008. São mais freqüentes os casos no sexo masculino, na proporção de 4:1, com pico de incidência entre 50 e 70 anos de idade.

Segundo o levantamento do banco de dados americano (SEER), houve um aumento na taxa de sobrevida global em 5 anos até a década passada (38,1% em 1974 vs 56,7% em 1997), o que parece refletir o progresso no diagnóstico e tratamento destes pacientes.

O tabagismo e o etilismo são de longe os principais fatores envolvidos com o câncer de cabeça e pescoço.

O efeito combinado é multiplicativo, sendo que o risco de desenvolver este tumor entre tabagistas e etilistas é até 200 vezes maior em relação aos não-tabagistas e não-etilistas. Outros fatores conhecidos são as infecções virais (em particular o HPV, papilomavírus humano, relacionado ao câncer de orofaringe), exposição ocupacional, exposição à radiação, fatores dietéticos e susceptibilidade genética.

Uma dieta rica em gorduras e o baixo consumo de frutas e vegetais podem aumentar o risco da doença.

Além disso, o hábito do chimarrão (mate quente), comum no sul do país, pode aumentar em até 2 vezes o risco de câncer de laringe. Também tem sido sugerido que a má higiene oral possa estar associada ao desenvolvimento do câncer de cabeça e pescoço.

O câncer de nasofaringe é um caso à parte. Este tipo de tumor é mais freqüente em pacientes asiáticos e está associado à infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV).

Os sintomas são geralmente vagos e, por isso, podem levar ao atraso no diagnóstico. Entretanto, se destacam algumas queixas de acordo com o sítio de origem:

  • Câncer de seios nasais: feridas que não cicatrizam, sangramento nasal ou obstrução nasal.
  • Câncer de nasofaringe: nódulos ou massas no pescoço em 90% dos casos; otites crônicas, cefaléia, alterações neurológicas.
  • Câncer de cavidade oral: feridas ou elevações que não cicatrizam, alterações dentárias, dificuldade em fixar próteses dentárias.
  • Câncer de laringe: rouquidão, tosse.
  • Câncer de orofaringe: nódulos no pescoço, dificuldade de engolir alimentos, dor no ouvido.

Para se estabelecer o diagnóstico de câncer de cabeça e pescoço, é necessária a confirmação pelo patologista. O patologista vai examinar o material coletado do paciente ao microscópio à procura de células malignas compatíveis com o diagnóstico. O material é geralmente coletado através de biópsia ou punção, realizada pelo cirurgião de cabeça e pescoço.

A maioria dos casos de câncer de cabeça e pescoço é chamada de carcinoma epidermóide, ou carcinoma de células escamosas (CEC). Esta informação é dada pelo patologista e é útil na decisão do tipo de tratamento. A localização do tumor primário (onde o tumor se iniciou) também é importante, já que o tratamento pode ser diferente. Os diferentes sítios primários foram citados na introdução deste texto.

Após o diagnóstico e a classificação do câncer de cabeça e pescoço, o médico assistente passa para o estadiamento da doença, ou seja, verificar a extensão da doença. Para isso, geralmente são pedidos exames complementares, como exames laboratoriais e exames de imagem direcionados ao sítio do tumor primário, ao pescoço e ao tórax. O objetivo destes exames é determinar o tipo ideal de tratamento para aquele determinado paciente.

Os pilares do tratamento do câncer de cabeça e pescoço são a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia. É fundamental para isso a integração entre o cirurgião de cabeça e pescoço, o oncologista e o radioterapeuta, afim de se determinar a melhor opção terapêutica e evitar procedimentos desnecessários. Importantes avanços ocorreram na última década, incluindo aperfeiçoamentos nas técnicas operatórias, avanços nas técnicas de radioterapia e diferentes estratégias de quimioterapia. Sempre que possível, segue-se o conceito de preservação de órgão, que permite ao paciente não apenas o controle da doença, mas também a manutenção de uma boa qualidade de vida e de interação social, familiar e profissional. Além disso, os novos tratamentos permitem maior conforto e tolerabilidade ao paciente. A radioterapia de intensidade modulada (IMRT) é um destes marcos, capaz de prevenir a incidência de xerostomia tardia (boca seca), que sempre foi um dos eventos complicadores da radioterapia convencional. O advento da terapia de alvo molecular é outro avanço, uma vez que a droga passa a agir diretamente nas células tumorais, evitando os efeitos colaterais da quimioterapia.

O prognóstico do câncer de cabeça e pescoço dependerá da extensão da doença ao diagnóstico e da presença de co-morbidades, ou seja, doenças associadas. O crescente aprimoramento das técnicas cirúrgicas, da radioterapia e da quimioterapia são medidas que aumentam a sobrevida e qualidade de vida dos pacientes. O conhecimento molecular também trouxe ganho, uma vez que hoje dispomos de terapias-alvo, com drogas inteligentes direcionadas contra o tumor, que poupam os pacientes dos efeitos adversos da quimioterapia. Sempre que possível, busca-se o tratamento de preservação de órgãos.

O câncer de cabeça e pescoço tem alto potencial de prevenção, visto sua relação intrínseca com o tabagismo e etilismo. Campanhas voltadas a reduzir o início dos hábitos, principalmente entre jovens, são prioritárias e merecem forte apoio da população. Segundo recomendações do INCA, é essencial manter uma boa higiene bucal, ter os dentes tratados e fazer uma consulta odontológica de controle a cada ano. Uma dieta saudável, rica em vegetais e frutas, é capaz de prevenir o câncer de cabeça e pescoço.
O câncer de pele na região de cabeça e pescoço também é freqüente. Para prevení-lo, deve-se evitar a exposição ao sol ou utilizar proteção (filtro solar e chapéu de aba longa).